O PO vai ser substituído pela IA? A resposta honesta que o mercado precisa ouvir
Era uma quinta-feira comum quando um PM de uma startup de fintech compartilhou no Slack da empresa uma user story que ele não tinha escrito. O ChatGPT tinha gerado em 40 segundos. O backlog inteiro, estimado, priorizado — em menos de uma hora. A reação da sala foi silêncio.
Se você ainda não se fez essa pergunta em voz alta, provavelmente já se fez em silêncio: a IA vai acabar com o papel do Product Owner?
A resposta curta é: não. A resposta longa é mais interessante.
O que a IA já consegue fazer hoje
Não adianta romantizar: as ferramentas de IA estão, de fato, assumindo tarefas que antes eram exclusivas do PO. Algumas delas com uma competência que surpreende até os mais céticos.
Escrever user stories estruturadas a partir de uma descrição curta virou rotina para quem usa o ChatGPT ou o Claude. Ferramentas como Linear e Notion AI já sugerem priorização automática com base em critérios que você define. Plataformas de analytics como Amplitude e Mixpanel entregam insights com linguagem natural — sem precisar montar um dashboard do zero.
Tarefas que consumiam horas por semana agora levam minutos. Isso é real, documentado e irreversível.
O que a IA não faz
Agora vem a parte que o hype esquece de mencionar.
A IA não senta numa reunião de stakeholders onde o CFO quer cortar o projeto e o CEO quer acelerar. Ela não lê o clima da equipe quando o time está exausto depois de três sprints pesados. Não percebe que uma user story "perfeita" no papel vai contra a cultura de um cliente específico que você conhece há dois anos.
A IA não negocia contexto político. Não tem intuição sobre o que o usuário está sentindo mas não está dizendo. Não faz a pergunta certa no momento certo em uma entrevista de discovery.
Produto é, em essência, uma disciplina de relações humanas mediada por tecnologia. E isso nenhuma IA resolve — pelo menos não no mundo real de 2025.
O novo papel do PO: curador de inteligência
O que está acontecendo não é a substituição do PO. É uma redefinição do que é valioso nessa função.
O PO que passa a maior parte do tempo escrevendo user stories manualmente vai ter dificuldade. Mas o PO que usa IA para escalar o que antes era operacional — e libera espaço para pensar estratégia, facilitação e decisões difíceis — vai se tornar mais valioso, não menos.
É a mesma transformação que aconteceu com os designers quando o Figma chegou. O trabalho mecânico diminuiu; o trabalho criativo e estratégico se expandiu.
O que você pode fazer agora
Comece incorporando IA no seu dia a dia antes que vire urgência. Não espere o mercado te cobrar.
Use o Claude ou o ChatGPT para rascunhar user stories e refinar com o seu contexto. Use ferramentas de IA para análise de dados e resumo de pesquisas com usuários. Experimente gerar priorização automatizada e questione os critérios que ela usa.
O objetivo não é delegar seu trabalho para a IA. É entender profundamente o que ela faz bem para que você saiba exatamente o que só você pode fazer.
O PO do futuro próximo não é aquele que sabe mais sobre frameworks. É aquele que sabe trabalhar com IA melhor do que qualquer outra pessoa na sala.
Para ir além
Se você quiser aprofundar es
sa conversa, assista ao episódio do PrimoCast com Sérgio Sacani sobre o impacto da IA no mercado de trabalho de tecnologia. É uma visão ampla, mas com pontos que tocam diretamente na carreira de produto.
E se você ainda não viu os módulos de IA da Trilha Júnior aqui no Backlogando, esse é um bom momento para começar.